| SER OU NÃO SER... MAIS BELO? FAZER OU NÃO FAZER UMA CIRURGIA PLÁSTICA? |
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Especialista da
Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica comenta medos, dúvidas e
preocupações que cercam as cirurgias estéticas, além de dar dicas
que podem ser úteis na hora de decidir por uma "repaginada"
no visual. Em 2003, foram feitas mais de 620 mil cirurgias plásticas no Brasil, sendo 60% delas estéticas. No ano passado, foram aproximadamente 800 mil, das quais 160 mil somente de próteses mamárias (colocação de silicone). Embora o Brasil seja um dos líderes no ranking mundial da cirurgia plástica, muitas pessoas ainda levam anos para decidir se fazem ou não aquela sonhada lipoaspiração, correção das pálpebras caídas, eliminação das bolsas de gordura sob os olhos, retirada de rugas e de flacidez no rosto etc. As dúvidas e inseguranças em relação à cirurgia estética devem-se, normalmente, segundo o Dr. Gustavo Merheb, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a uma trinca de medos: da anestesia, da dor no pós-operatório e dos resultados, que podem não corresponder às expectativas. O especialista dá algumas dicas que podem ajudar as pessoas a tirarem as suas dúvidas, indicando o que se deve levar em conta antes de se decidir pela realização de uma cirurgia estética. O medo da anestesia, de acordo com o Dr. Gustavo, acompanha cerca de 70% dos pacientes que chegam a sua clínica para uma primeira consulta. "É interessante como muitos pacientes só revelam o medo da anestesia depois que eu toco no assunto. Aí alguns revelam que não têm medo, mas pavor", conta. O médico diz que todas as dúvidas e mitos criados em torno da anestesia são esclarecidos na consulta e, com isso, os pacientes vão para mesa de operação bem mais tranqüilos. "Eles percebem que 99,9% dos receios associados à anestesia são infundados", ressalta. As dúvidas em relação ao procedimento cirúrgico em si povoam a cabeça de nove em cada dez candidatos a uma cirurgia plástica, e quase sempre estão relacionadas a três fatores, segundo o Dr. Gustavo: resultados, cicatrizes e recuperação. Quanto aos resultados, o médico diz que é necessário mostrar os benefícios reais do procedimento que se pretende fazer, sem incorrer no erro de criar ilusões. "As expectativas devem ser adequadas à realidade, aos limites do que se pode realizar", destaca. Ele defende uma exposição bem clara e objetiva do "custo X benefício" do procedimento. "É sempre possível dar ao paciente uma idéia de como ficará o resultado. Não gosto de programas, de softwares que simulam resultados, porque cada um responde de forma diferente ao procedimento cirúrgico. Então, com o computador, pode-se prometer um resultado impossível de ser conseguido, o que induziria o paciente a uma falsa expectativa", explica Gustavo. "Há hoje uma gama enorme de tecnologias que nos permitem melhorar o alcance e o resultado dos procedimentos. Mas nada que substitua a técnica, a sensibilidade e o talento do médico", continua. No tocante às cicatrizes, o mais importante, para ele, é explicar onde serão, que tamanho final terão e como costumam evoluir em cada área específica. O tempo de recuperação, outra dúvida comum entre os pacientes, depende do tipo e da extensão da cirurgia. "A maior parte dos procedimentos cirúrgicos estéticos implica pouco tempo de repouso em casa. É difícil recebermos um paciente que possa ficar mais de uma semana em casa recuperando-se", afirma. Fator que gera ao mesmo tempo medo e dúvidas, a dor no pós-operatório é, na opinião do especialista, mais um mito entre tantos. "Raramente os pacientes sentem dores que não cedem com um simples Tylenol", garante. Um detalhe chama a atenção do especialista: os homens não ficam atrás das mulheres em termos de medos, inseguranças e preocupações quando o assunto é cirurgia plástica. "Mas, sem dúvida, são muito piores para lidar com a dor", entrega. O especialista alerta que, por causa das pressões exercidas pela mídia, muitas pessoas sonham com padrões ou referenciais de beleza na maioria das vezes incompatíveis com elas. Por isso, ele recomenda que, antes de se decidir por fazer ou não uma cirurgia plástica, a pessoa se pergunte: será que isso é realmente importante para que eu me sinta melhor comigo mesmo, será que isso que eu desejo para o meu rosto, para o meu corpo tem a ver comigo, com o meu tipo físico, com a minha personalidade? "Mas se uma imperfeição estética incomoda, por que não tentar melhorá-la? Tão importante quanto indagar se a queixa desagrada a um ponto tal que justifica uma cirurgia plástica é saber se as expectativas podem ser alcançadas", diz o médico. Para ele, a queixa estética, quando procedente, não pode ser menosprezada como algo menor ou fútil. "Uma cirurgia plástica bem feita pode trazer ganhos que vão além do aspecto estético. Pode significar uma melhoria da qualidade de vida da pessoa, principalmente nos seus aspectos psicológicos, emocionais e sociais", diz. "De vez em quando, recebemos em nossos consultórios pacientes envergonhados e até com sentimento de culpa 'somente' por causa de uma queixa estética...!", conclui, enfático, o Dr. Gustavo, do Rio de Janeiro. |
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