| Consumo de anfetaminas cresce 500% no Brasil nos últimos anos |
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Um relatório feito pela
ONU, com a intenção de monitorar o cumprimento dos tratados
internacionais antidrogas ao redor do mundo, fez um alerta em relação
ao consumo descontrolado de anfetaminas usadas para o emagrecimento no
Brasil. O documento diz que, a partir de 1998, o consumo aumentou em
mais de 500% no país.
As drogas anoréticas, como são chamadas, causam preocupação por gerarem dependência química. "Sem dúvida, as estatísticas mundiais apontam o Brasil como um dos maiores consumidores de anfetaminas, e esse dado é alarmante", afirma o endocrinologista e nutrólogo Alexandre Merheb, diretor da Clínica Espaço Merheb. Drogas estimulantes da atividade do sistema nervoso central, as anfetaminas fazem o cérebro trabalhar mais depressa, deixando as pessoas mais "acesas", "ligadas" e com "menos sono". "O uso como moderador de apetite traz efeitos colaterais a curto e longo prazos, como irritabilidade, depressão, taquicardia, disforia (mistura de humor instável, euforia, irritação, agressividade e depressão), perda de memória, cefaléia e alucinações", alerta o médico. Os inibidores de apetite são agressivos para a saúde e estimulam em pouco tempo a saturação dos receptores cerebrais onde atuam as anfetaminas, que perdem, aos poucos, o efeito de tirar a fome, deixando o individuo cada vez mais exposto aos efeitos colaterais. "Cria-se uma dependência química real, que leva os usuários a se tornar pacientes freqüentes em consultórios psiquiátricos", explica. Além do consumo indiscriminado de drogas sintéticas, é comum que as pessoas recorram a dietas descritas em manuais sem qualquer aval e orientação médica. Essa combinação pode ser fatal para quem deseja uma silhueta esbelta. Para o controle do peso, a proposta do trabalho do nutrólogo visa à reeducação alimentar, sem a falsa ilusão de resultados fantásticos e imediatos. "O que se pretende é o equilíbrio do metabolismo do paciente e, a partir daí, afastar de vez os quilinhos facilmente adquiridos mês a mês. Após a perda de peso inicial, ocorre uma real modificação metabólica com o tratamento. Assim, o organismo tem a capacidade de perder meio quilo por mês, em vez de acumular", diz Merheb. O equilíbrio metabólico consiste em desacelerar a glândula que produz e libera a insulina para a corrente sanguínea. Muitas vezes, há uma descompensação desse hormônio. Alexandre Merheb explica que a queima de gorduras como combustível é um fenômeno biológico que ocorre de forma espontânea nos momentos do dia em que os níveis circulantes de insulina estão baixos. "Os gordinhos, mesmo que se exercitem, produzem insulina além do ideal e assim passam a maior parte do dia com concentrações elevadas na corrente sanguínea. Isso atrapalha a queima das gorduras. Esses pacientes são maus queimadores de gorduras e estão sempre engordando", diz. Por meio de um tratamento adequado, o "mau queimador de gorduras" pode reverter a situação. Isso requer, apenas, alguns "ajustes" na função do pâncreas, que produz a insulina. O próximo passo é a reeducação alimentar e a manutenção do peso. Merheb aposta na etapa inicial, de no máximo dez dias, de retirada total da ingestão de carboidratos. "O tratamento começa com uma dieta sem carboidratos porque alimentos à base de proteínas e gorduras têm maior poder saciador. Além disso, a falta do carboidrato na alimentação reduz a sensação de fome e a compulsão". Ao término da primeira fase, ocorrem duas importantes modificações no comportamento biológico. A fome e a sensação de compulsão desaparecem quase que por completo. E como conseqüência da dificuldade de produzir e liberar insulina pelo pâncreas, o poder de queimar gorduras aumenta e bloqueia o acúmulo em casos de fartas refeições. Merheb não assusta seus pacientes proibindo a suculenta lasanha ou aquela torta de chocolate. "De uma forma eventual, em uma rotina alimentar saudável, há espaço para as guloseimas, pois o metabolismo é influenciado pela rotina e não por extravagâncias", explica o médico. Ele ainda salienta: "o problema é fazer da extravagância uma rotina". No Espaço Merheb, que atende cerca de 300 pacientes por mês, os clientes contam, além de médicos responsáveis pelo atendimento, com a orientação de nutricionistas, de um núcleo de tratamentos estéticos e até com um centro de cirurgia plástica. |
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