| REEDUCAÇÃO METABÓLICA |
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Nutrólogo que já
tratou de mais de 40 mil pacientes com problemas de excesso de peso e
obesidade questiona o conceito tradicional de dieta; defende a
realização de uma “reeducação metabólica” antes de uma
reeducação alimentar; condena o uso em grande escala de anfetaminas
nas dietas de emagrecimento; prefere trabalhar com diminuição de
medidas e de gorduras localizadas a trabalhar com quilos perdidos; leva
mais em conta o índice glicêmico (de açúcares) dos alimentos do que
a contagem de calorias; afirma que a compulsão alimentar (gula) pode
ser tratada com mudanças na própria alimentação; e coloca o
pâncreas como o órgão central no processo de transformação de uma
pessoa de “acumuladora de gordura” para “queimadora de gordura”.
Todo dia aparece uma dieta nova no mercado, mas todas elas estão fadadas ao fracasso se não estiverem amarradas a um tratamento para emagrecer contínuo e individualizado, que realmente ataque a causa do problema: o metabolismo de acúmulo e queima de gorduras. Esta é a opinião do mestre em Nutrologia Alexandre Merheb , do Rio de Janeiro, que, em trinta anos de profissão, já atendeu mais de 40 mil pacientes com problemas de excesso de peso. Para ele, a existência de milhares de dietas, remédios e fórmulas de emagrecimento não está conseguindo resolver o problema da epidemia de obesidade no Brasil e no mundo, porque o foco tem sido quase sempre o mesmo: um déficit provisório de calorias por meio de uma conta simplista, que considera o total de calorias gastas e de calorias ingeridas. “As pessoas são levadas a comer menos; a, muitas vezes, sentir fome; e a praticar mais exercícios físicos durante certo período para emagrecer. Depois retomam os velhos hábitos alimentares e o antigo estilo de vida e engordam de novo, o que é até pior”, diz. De acordo com o especialista, a queima da gordura que se estoca no corpo é bem mais complexa do que se imagina, e que é necessário, antes de qualquer coisa, regular a máquina humana por meio de uma reeducação metabólica para que ela de “má” se torne uma “boa queimadora” de gorduras. Se isso não for feito, a pessoa volta a engordar depois de uma dieta tradicional porque seu organismo, apesar de um déficit provisório de calorias, continua desregulado. “A grande maioria das dietas que vêm sendo divulgadas encara o problema da obesidade de forma muito superficial, fazendo crer que a queima de gorduras se dá em uma situação de crise de energia gerada por comer menos e fazer mais exercícios físicos. Na realidade, a gordura é mais fácil de ser queimada em repouso do que em atividades físicas! Ao longo do dia, ela é, durante a maior parte do tempo protegida pela insulina, o hormônio fabricado pelo pâncreas", diz. O especialista explica que a gordura só pode ser queimada nos momentos em que as concentrações sangüíneas de insulina estiverem quase zeradas. Se por um desvio de metabolismo adquirido ao longo da vida, o indivíduo tem um pâncreas hiperativo, inchado, produtor de quantidades excessivas de insulina (o que costuma acontecer em pessoas muito gulosas, compulsivas), ele será um "mau queimador" de gordura. Assim, ao ser privado de energia alimentar em dietas de baixas calorias, o indivíduo com um pâncreas desregulado não queima prioritariamente gordura, e sim os estoques de carboidratos armazenados nos músculos. Nesse caso, a perda de peso traduz mais desabastecimento temporário do "combustível" dos músculos do que emagrecimento com redução de tecido adiposo propriamente. "Uma balança energética deficitária sempre vai fazer levar à perda de peso, mas nem sempre vai queimar aquilo que o corpo realmente estoca em excesso: a gordura acumulada”, completa. |
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